Resumo: O seguro residencial cresceu 10,5% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Susep citados pelo portal Portas. Para os condomínios, o dado não deve ser lido como estatística direta do seguro condominial, mas como um sinal claro: proprietários e moradores estão mais atentos à proteção patrimonial. O síndico pode aproveitar esse momento para revisar apólice, coberturas, exclusões e riscos reais do prédio antes da próxima emergência.
Chuva forte, alagamento, queda de energia, infiltração, dano elétrico, portão queimado, bomba parada, vidro quebrado, deslizamento no entorno. Para muitos condomínios, o seguro só vira assunto quando o problema já aconteceu.
Esse é o erro que o síndico precisa evitar.
O mercado de seguro residencial começou 2026 em alta. Segundo dados da Susep citados pelo portal Portas, o segmento arrecadou R$ 1,73 bilhão em prêmios no primeiro trimestre do ano, crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025. A mesma matéria aponta que quase 65% dos acionamentos do seguro residencial estão ligados a manutenção e imprevistos domésticos, não a grandes sinistros.
O dado é de seguro residencial, não de seguro condominial. Ainda assim, ele ajuda a entender uma mudança de comportamento: seguro deixou de ser visto apenas como uma despesa distante e passou a entrar na rotina de prevenção de famílias, proprietários e gestores.
No condomínio, essa discussão precisa ser ainda mais objetiva. A apólice não pode ficar esquecida em uma pasta, renovada automaticamente, sem que ninguém confira se as coberturas ainda conversam com a realidade do prédio.
Por que o tema ficou mais urgente
Em 15 de junho de 2026, a Agência Brasil registrou chuva forte em vários bairros do Rio de Janeiro, com alagamentos e deslizamento de terra. No Maciço da Tijuca, a Rocinha chegou a acumular 64,6 mm de água em quatro horas. O temporal também provocou o rompimento de uma adutora e interditou trecho da Estrada da Gávea.
Eventos assim mostram uma verdade incômoda para a gestão condominial: o risco não respeita a data de vencimento da apólice, o calendário da assembleia nem o saldo do fundo de reserva.
Quando o condomínio só descobre depois do sinistro que determinada cobertura não foi contratada, que há franquia alta, que o valor segurado está defasado ou que uma exclusão impede a indenização, o problema deixa de ser apenas técnico. Vira desgaste com moradores, pressão sobre o caixa e possível questionamento da gestão.
Seguro obrigatório não resolve tudo sozinho
O Código Civil prevê que o condomínio deve contratar seguro de toda a edificação contra risco de incêndio ou destruição, total ou parcial. Esse é o ponto de partida, não o ponto de chegada.
Na prática, muitos condomínios precisam avaliar coberturas adicionais conforme o perfil do prédio, como danos elétricos, vendaval, impacto de veículos, responsabilidade civil do síndico, responsabilidade civil do condomínio, quebra de vidros, portões, bombas, equipamentos, subtração de bens, alagamento, desmoronamento e assistência emergencial.
Nem toda cobertura faz sentido para todo condomínio. Um prédio pequeno, sem garagem subterrânea e com poucos equipamentos, tem uma necessidade diferente de um condomínio-clube com piscina, academia, elevadores, portaria remota, CFTV, bombas, gerador e grande circulação de prestadores.
Por isso, o caminho mais seguro não é comprar o pacote mais barato nem o mais completo. É entender o risco real.
O que o síndico deve revisar antes de renovar
A renovação do seguro deve ser tratada como uma decisão de gestão. Antes de aceitar a proposta, vale conferir alguns pontos:
- Valor segurado: o limite contratado acompanha o custo atual de reconstrução, equipamentos e áreas comuns?
- Coberturas contratadas: a apólice cobre os riscos mais prováveis daquele condomínio?
- Exclusões: quais situações parecem cobertas, mas estão fora da indenização?
- Franquias: o valor da franquia é compatível com o caixa do condomínio?
- Equipamentos: portões, bombas, CFTV, interfones, elevadores, gerador e sistemas de automação foram considerados?
- Áreas comuns: salão, academia, piscina, garagem, fachadas, jardins e cobertura entraram na análise?
- Histórico de sinistros: o prédio já teve danos elétricos, infiltração, alagamento, furto, quebra de vidros ou paralisação de equipamentos?
- Responsabilidade civil: a apólice protege o condomínio e o síndico em situações que envolvam terceiros?
- Clareza documental: conselho e síndico sabem onde estão apólice, contatos, prazos e procedimento de acionamento?
Chuva forte pede mais que seguro
Seguro não substitui manutenção. Essa frase precisa estar clara para síndicos, conselhos e moradores.
Se o prédio tem ralos entupidos, calhas sem limpeza, bombas sem manutenção, infiltrações antigas, quadro elétrico sobrecarregado ou garagem com drenagem ruim, a apólice pode até ajudar em parte do prejuízo. Mas ela não elimina o risco operacional nem garante indenização em qualquer cenário.
Além disso, seguradoras podem exigir documentos, notas, laudos, fotos, histórico de manutenção e comprovação do dano. Condomínio que organiza a rotina preventiva também se prepara melhor para acionar o seguro quando necessário.
A lógica é simples: manutenção reduz risco; seguro reduz impacto financeiro quando o risco se materializa. Um não substitui o outro.
Como transformar a revisão do seguro em pauta de assembleia
O síndico não precisa levar uma discussão técnica demais para os moradores. Precisa levar uma decisão clara.
Uma boa pauta pode responder:
- qual é a apólice atual e quando ela vence;
- quais coberturas existem hoje;
- quais riscos do prédio não estão bem cobertos;
- quanto custam as alternativas apresentadas;
- qual é a diferença entre economizar no prêmio e assumir risco maior;
- quem será responsável por guardar documentos e acionar a seguradora em caso de sinistro;
- que medidas de manutenção devem acompanhar a contratação.
Esse tipo de transparência ajuda a tirar o seguro da categoria de “despesa invisível” e colocar o tema onde ele deve estar: proteção do patrimônio coletivo.
Checklist rápido para o condomínio
- Verifique a data de vencimento da apólice.
- Leia as coberturas e exclusões antes da renovação.
- Atualize a lista de equipamentos e áreas comuns.
- Compare o valor segurado com a realidade atual do prédio.
- Revise franquias e limites por cobertura.
- Confira se há cobertura para danos elétricos, vendaval, alagamento e responsabilidade civil, quando fizer sentido.
- Organize fotos, notas, contratos de manutenção e laudos.
- Defina um procedimento interno para acionar o seguro.
- Leve a revisão para o conselho antes da assembleia.
Conclusão
O crescimento do seguro residencial mostra que a proteção patrimonial entrou mais forte na agenda dos brasileiros. Para os condomínios, o recado é prático: não espere a próxima chuva forte, pane elétrica ou dano em área comum para descobrir se a apólice está adequada.
Seguro bom não é apenas o que cabe no orçamento. É o que conversa com o risco real do condomínio, com a estrutura do prédio e com a capacidade da gestão de agir rápido quando acontece um sinistro.
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Fontes consultadas
- Portas, com dados da Susep, Brasilseg, FenSeg e Mapfre: “Seguro residencial arrecada R$ 1,73 bi no 1º trimestre de 2026, alta de 10,5%”: https://portas.com.br/noticias/seguro-residencial-crescimento-primeiro-trimestre-2026/
- Susep, Sistema de Estatísticas da Susep (SES), base pública atualizada até 202604, gerada em 22/06/2026: https://www2.susep.gov.br/menuestatistica/SES/principal.aspx
- Agência Brasil, “Rio tem chuva forte, alagamentos e deslizamentos de terra”, publicado em 15/06/2026: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-06/rio-tem-chuva-forte-alagamentos-e-deslizamentos-de-terra
- Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Defesa Civil Alerta: https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/defesa-civil-alerta
- Código Civil, art. 1.346, sobre seguro da edificação: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
